Pelo DIREITO de ser Bela, Recatada e do Lar

22 abril, 2016

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Na noite passada, tomava um café com uma amiga em uma delicada pâtissèrie, enquanto conversávamos sobre o “caso Marcela Temer – vulgo assunto do momento. 

Falávamos, sobretudo, sobre a quantidade de memes e críticas que pipocaram nas redes sociais nos últimos dias crucificando a reportagem da Veja, que definiu a moça como “Bela, Recatada e do lar”. Muitas mulheres (incluindo as nem sempre queridas “feminazis”) se sentiram indiretamente injuriadas com o título dado à Marcela, e resolveram começar uma onda de chacota, postando fotos irônicas, em que as ‘belas, recatadas e do lar’ apareciam nas posições mais porra loucas possíveis.
Confesso que, de início, até achei a reação engraçada. Mas depois de um tempo, comecei a analisar e a coisa toda perdeu substancialmente a graça. Pior ainda: percebi que eu até me identificava um pouco com a posição de Marcela Temer.
Ora pois, mas afinal que mal há em Marcela Temer, ou qualquer outra mulher, ser ‘bela, recatada e do lar’ – se não for nada mais do que isso que ela desejar ser ? Por que Marcela (ou qualquer outra anônima) deveria forjar um perfil diferente para si, se o recato ou um certo grau de, digamos pudor, são intrínsecos à sua personalidade?
“Bela, despirocada e do bar”
Às vezes tenho a impressão de que a sociedade tomou como regra geral que devido à independência conquistada, as mulheres devem, obrigatoriamente, passar a exercer determinados comportamentos e papeis. Como assim? Eu explico:
No mundo da mulher independente e “moderna”, recato virou sinônimo de caretice. Possuir um guarda-roupa de saias na altura do joelho deixou de ser uma questão de estilo pessoal e passou a ser simplesmente algo “antiquado”. Casar-se com o primeiro namorado, então, é de matar! Não interessa se, devido ao acaso, você amou loucamente o cara que foi o primeiro relacionamento de sua vida e se recusou a largá-lo: COMO ASSIM, você não quer transar com vários outros? 
 Abdicar da carreira para cuidar dos filhos, então, nem se fala: esse é o sintoma clássico da mais fracassada das perdedoras. E aqui, também não interessa se ela for a melhor mãe do mundo…
Afinal…. Despirocar é preciso! Beber até cair é a ordem, ter diarreia verbal é muito cool. Transar com muitos homens diferentes é um claro sinal de emancipação. Drogas? Uhul! Se você passou pela sua adolescência sem fumar pelo menos um baseadinho, deve ser rapidamente internada, pois não pode ser considerada alguém “normal” (Só não me pergunte o porquê…). E pelamordedeus, nunca conte isso a mais ninguém – pois você será alvo de piada, ou simplesmente considerada “a esquisitona” do ambiente. Esqueça as saias longas: a roupa ideal para se usar num primeiro encontro é aquela que – óbvio! – evidencia suas curvas e faz os caras olharem para você como se fosse um pedaço de carne fresquinho, que acabou de sair do açougue. E desencane de qualquer tipo de visual cinquentinha: a pegada é ser sexy, devorar a revista Nova semanalmente e aprender todas as pirotecnias sexuais do momento para “segurar” o bofe. E enquanto lê a revista Nova e aprende tudo isso só pra agradar ao boy magia, delete da sua mente qualquer mera referência dos tempos da sua avó, aquela época em que os homens tratavam as mulheres como meros objetos sexuais. (Er…Hein?? Fiquei confusa aqui…)
Não sei o quanto esta história da Marcela Temer ainda vai render pano para a manga. Eu apenas espero que ela não contribua para deixar as mulheres que optaram por ser belas, recatadas e do lar, ainda mais acuadas e com receio de expressarem sua própria essência. Afinal, elas já devem andar bem desconcertadas por viverem em um mundo onde ser “a garota maluquinha do bar” virou regra. E todo mundo tem o direito de gostar mais de chá ou de chope.

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6 Comentário:Pelo DIREITO de ser Bela, Recatada e do Lar

  1. Mari

    Gosto muito das suas postagens, Marjorie!! Leio sempre que posso. Um beijo e continue, vc escreve lindamente.

    • Marjorie Trofa

      Que linda, Mari!
      Muito obrigada! Fiquei muito feliz mesmo com seu comentário <3
      Beijos!

  2. ligia

    O problema não é a Marcela Temmer e sim o machisto da matéria vinculada, retrocedemos 1 decada com está matéria. Também essa tal Marcela não me parece um exemplo para ninguém, tem 32 anos e é casada com um homem de 75, vai me dizer que a bela, recatada e do lar causou por amor?! Ahhh tá !!! rsrs

    • Marjorie Trofa

      E ele, será que casou por amor ou por causa do corpinho dela?
      Será que não foi uma troca? É justo falar mal só da Marcela? Isso sim é machismo, na minha opinião.

  3. Maria Silva

    Pela diferença de idade, Marcela Temer com 32, e Michel Temer com 75, parece que a bela deu o golpe do baú, e isso não é um bom exemplo para ninguém. Também permanecer “no lar” o dia inteiro, sem sequer ter filhos para cuidar, parece muita preguiça e ociosidade, o que também não é exemplo para ninguém. A bela poderia ao menos se dedicar a algo útil, como ensinar analfabetos, obras de caridade, etc. Como faz a realeza europeia, aliás.

    • Marjorie Trofa

      Acho engraçado como sempre a mulher é vista como aproveitadora nos relacionamentos, digamos que, “díspares”. Nunca o homem. E ele, será que não levou nada em troca com esse relacionamento? Será um pobre coitado? Certamente ele não estava de olho nos atributos físicos dela, né…. Magina!

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