Gucci : um case de reposicionamento de marca

30 outubro, 2017

A Gucci está, a cada dia mais, de cara nova. É bem verdade que desde a entrada de Frida Giannini, ex-diretora criativa da marca, algumas inovações em termos de estampas e padronagens já vinham sendo notadas na marca. Porém, desde o início de 2016, com a entrada do diretor criativo romano Alessandro Michele, a marca icônica vem ousando e desafiando o tradicionalismo até não poder mais.

E nem precisa ser um grande conhecedor de moda para reparar nisso. Basta passar em frente à vitrine de qualquer Gucci para notar a mudança de tom radical da marca: todos os itens com muita cor, muita estampa e eu diria que uma pegada até meio psicodélica.

Mas por que, afinal, esta mudança chocante?

A resposta é interessante, e toca em 3 pontos relevantes:

1- Monograma virou blasé

Novas bolsas da Gucci não ostentam monograma

Os consumidores de luxo passaram a prezar, cada vez mais, a exclusividade em detrimento da chuva de monogramas, que já estão enxergando como “batidos”. As top it girls não querem mais desfilar com uma Louis Vuitton estampada com dezenas de “L”s  e “V”s justamente porque, cada vez mais, “gente comum” desfila com essas bolsas por aí. Fatores como a expansão do número de lojas das marcas de luxo ao redor do mundo, o parcelamento no mercado nacional e, é claro, a pirataria, acabaram por aumentar o acesso a estes produtos.

Sendo assim, as grandes marcas necessitaram fazer um movimento de “resgate de público-alvo“, inovando e criando novos produtos, ou adicionando aos antigos características exclusivas. A ideia é alçar a modernidade com coisas novas, sem perder a tradição. E é exatamente isso que a Gucci vem fazendo com a promoção de Alessandro Michele a diretor criativo.

Achou estas razões um tanto quanto superficiais para suscitarem um reposicionamento de marca? Calma que tem uma outra explicação também, um pouco mais nobre, rs!

2- Ricos não querem mais ostentar

As roupas também seguem o mesmo padrão

Depois da paulada da crise norteamericana no mundo, e de seus posteriores reflexos, os ricos vêm perdendo a vontade de ostentar. O milionário de hoje não quer mais esfregar acessórios extravagantes na cara do amigo que acabou de quebrar a empresa. Por isso, vem buscando menos os tradicionais monogramas e itens muito apelativos para o fator “grife”. É por isso que diversas marcas do segmento de luxo vêm lançando versões mais discretas em seus portfólios e fazendo aquele tipo de luxo em que “menos é mais“.

No caso da Gucci, certamente os novos acessórios da marca são o oposto da palavra “discreto”. No entanto, é visível que o ponto focal dos produtos deixou de ser o monograma com a dupla de G’s, e migrou para outros elementos como bichos, folhas, flores e cristais. Algumas bolsas nem mesmo chegam a apresentar algum tipo de logo da marca, o que há até alguns anos seria algo inconcebível…. Exclusividade detected!

3- De olho nos Millennials 

Mais da metade dos clientes da Gucci são millennials

Os Millennials, a geração que corresponde à faixa etária de 18 a 34 anos, representam mais da metade dos clientes da Gucci. E, por isso, esta geração enérgica, movida a paixões, original e que valoriza as experiências mais do que os objetos tem de se ver representada nos produtos da marca.

E parece que isso Alessandro Michele vem fazendo muito bem em sua direção criativa. Afinal, a receita da Gucci no primeiro semestre deste ano aumentou 45,4% (em relação ao mesmo período de 2016), e seu lucro operacional, 69%.

O que acham do reposicionamento da Gucci? Vocês haviam notado este movimento da marca?

Fontes consultadas:

 

 

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