Chanel embarcando no OmniChannel?

28 fevereiro, 2018

Boutique Chanel

A Chanel começou 2018 sinalizando a expansão de sua presença no meio digital. Na semana passada, foi anunciada a parceria da icônica grife de luxo à renomada plataforma de e-commerces de moda Farfetch, empresa portuguesa especializada na comercialização virtual de artigos de moda de luxo e premium. Uma outra investida da marca neste mês foi a criação de dois novos perfis no Instagram (@welovecoco e @chanel.beauty), focando na aproximação da marca com seus influencers e também com sua vasta comunidade de admiradores da rede. Acha que acabou? Pois também neste ano, a tradicional grife francesa lançou um canal de músicas na Apple Music, que reunirá das trilhas sonoras presentes em seus desfiles a composições que ornam com o lifestyle da marca.

instagram Chanel

Foto: Reprodução Instagram (@welovecoco)

A pergunta é: tais ações podem sinalizar que a grife pré-centenária esteja enfim indo de encontro ao omnichannel? Afinal, é bem verdade que a maison francesa, criada pela revolucionária Gabrielle Chanel no início do século 20, e hoje comandada pelo diretor criativo Karl Lagerfeld, desde o início buscou estar à frente de seu tempo no mundo da moda, ora lançando artigos inovadores, ora antecipando tendências.

Chanel repensa a estratégia online

Este conhecido DNA inovador e avant-garde da marca vem contrastando, no entanto, com sua presença no meio digital, que até então vinha se mostrando um tanto quanto estagnada. Enquanto concorrentes de peso da grife, como Saint Laurent, Bottega Veneta e Givenchy, embarcaram já há algum tempo na venda de seus artigos via e-commerce, a Chanel ainda vem restringindo suas vendas online à sua linha de perfumaria e beleza, efetuadas por meio de um discreto e-commerce incorporado ao site da marca .

Saint Laurent na Farfetch

Produtos da marca Saint Laurent à venda no e-commerce Farfetch

Estratégia esta, que não é (vale frisar) nada tola. Os produtos de beleza licenciados pelas marcas, como batons e perfumes, são artigos rentáveis e que funcionam como portas de entrada dos consumidores para as grifes. Os diversos batons e perfumes vendidos pela Chanel, muito mais acessíveis do que qualquer um de seus artigos de moda, ajudam a aumentar o desejo por sua etiqueta e a mantê-la no top of mind do consumidor.

Ao cliente que deseja um artigo mais exclusivo da marca – e que também está disposto a pagar muito mais caro por ele, ficam garantidas as mordomias e a experiência do atendimento na loja física. Um produto mais exclusivo fica limitado à venda pelas prateleiras das boutiques, ao invés de poder ser simplesmente clicado e “jogado” no carrinho do e-commerce.

Porém, com a entrada expressiva das grifes no mundo dos e-commerces, e com a crescente abertura de seu portfólio de produtos ao comércio virtual, talvez vender somente batons e perfumes no meio online já não seja mais suficiente para a Chanel. A mudança no comportamento de compra do consumidor, conforme apontam diariamente as pesquisas, é algo real e imediato.

e-commerce Chanel

E-commerce da Chanel: foco na linha de produtos de beleza.

E quando se trata de moda, a situação fica mais delicada ainda. É preciso começar a pensar em como criar uma experiência de compra cada vez mais real no mundo virtual. Particularmente, imagino que o olhar da Chanel esteja significativamente voltado para isso neste momento, e que esta seja a razão de seu investimento na Farfetch.

O que é mais curioso é que apesar do anúncio da parceria comercial entre as duas empresas, a Chanel ainda não divulgou se, quando e como seus produtos entrarão à venda na Farfetch. Por ora, apenas foi anunciado que a marca irá se unir à plataforma para trabalharem juntas no aprimoramento da experiência de compra online do consumidor.

Sábio Mr. Lagerfeld. Afinal, uma jogada de mestre sempre deve ser feita com cautela. Por outro lado, esperamos também que a grife não demore muito rumo ao universo de compras online. Em uma era tão imediatista quanto a nossa, vale lembrar sempre que tempo é dinheiro.

E você, como enxerga as novas investidas da marca no universo virtual?

 

 

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